Thursday, June 30, 2016

"Espelho fidedigno"



                       


Na alma não cabe mais nada. Amar dói. Nina sabe exatamente a que me refiro. 
'' El secreto ideal duerme en la sombra, já dizia Ruben Dario. E pra que adiantar a tortura de um medo descabido? Prefiro o silêncio, mas aquele silêncio bruto. Aquele que você parece ser surdo. Luto contra a minha própria resistência, mesmo querendo. A vida só nos ensina a ter mais medo mesmo. Das coisas, das pessoas, das relações,dos casos, dos acasos, das coisas inexplicáveis e principalmente do silêncio.  Ah, bem aventurado e maestro,o silêncio. Ele resume vários sentimentos e construções desfavoráveis em tão pouco tempo.Não cogitava temer o silêncio até ele prevalecer em meu cotidiano.Até me rendi  ao fato de que o silêncio possivelmente me traria benefícios, mas não foi bem assim. Ele intensificou a minha falta de diálogo comigo mesma. Não sei mais me conduzir. Não quero parar para pensar nas tantas coisas que já perdi por falta de pronunciamento verbal.As poucas palavras me servem de alento e denotam um querer concentrado.A infelicidade provém da falta de coragem. As respostas já não me importam mais.Aliás, o silêncio não tem eco. Assim como a chuva em pranto,o tempo que não passa, que também  não voa , e que não mais se apresenta em contos coloridos todo santo dia se perde feito pinguim doente em alto mar. A lua tirou férias.Inverno, quartas-feiras de cinzas, e alguns meses sem derme, epiderme, miocáridio, e uma pulsação variável sobrevivendo às intempéries do barco que sonhara roubar. Por enquanto só o que lhe rouba a voz, era  o silêncio.

Monday, June 20, 2016

Quase abril e as mesmas dúvidas perduram.

Escrevo porque  não sei.


A impressão é que um século se passou  e eu até que não percebi. (mentira) Doce mentira. As decisões que o digam.. A gente perde o fôlego,  ganha suspiros, releva insatisfações e segue. Segue para onde? Para onde o septo do nariz decidir. Olho para o lado e enxergo desinências, praia, pólvora, e setas. O problema é que são várias setas. Cada uma com a trajetória mais misteriosa que a outra. 
Entende-se por caminho, aquilo que estamos imersos e  com algum intuito de direção. Chamamos a cartomante? Não.  A cigana? Não, ela tem cara de que também se engana. Conto com a sorte? Melhor não; decidi então armar uma tocaia para o destino. Vou não olhar para trás e fazer o que a vontade  rabisca.  Estou mais desgovernado que o Brasil. Perdão pela piada mas ela soa eficaz nesse segundo.
Em nome da pátria a gente ama.  Já que ela não anda amada, amemos por ela. E o amor tem dessas confusões. Não se sabe por onde começa nem por onde termina.  Coisa semelhante ao destino. A única certeza é a dos belos encontros .  E também dos desencontros.  E por falar em reencontrar-se:
por onde se (re)começa? Eu acho que me desapareci.